Eixo 6. Economia Criativa, Empreendedorismo artístico e inovação cultural

Metodologia:

As ações desse eixo se ancoram principalmente na expertise e do acúmulo em trabalho com economia solidária e criativa da Incubadora Tecnológica de Cooperativa Populares da UFPR (ITCP). A ITCP tem desenvolvido trabalhos em associativismo e geração de renda com a sociedade civil a mais de 20 anos no Estado do Paraná. A base do trabalho da ITCP é a garantia da autogestão das iniciativas de grupos organizados tornando esses atores mais pró-ativos na direção da articulação, da apropriação e da inserção do seu negócio no mercado, a partir da oferta de novos produtos e/ou de serviços diferenciados e inovadores. As suas ações já vem sendo desenvolvidas com comunidades de Guaraqueçaba, sendo que por meio deste projeto a ideia é ampliar estes esforços para outras comunidades que tenham o interesse numa assessoria direcionada à organização comunitária a partir da cultura como vetor econômico. Vários dos elementos oriundos das práticas culturais podem ser objetos de iniciativas criativas. A proposta é conceber novos empreendimentos criativos principalmente considerando o artesanato, a gastronomia e a música.A metodologia nesta área de atuação conta com 4 etapas: Ações de Pré-Incubagem (promovido um Diagnóstico Participativo de Cooperativas (DPC), a partir de reuniões, oficinas e encontros de capacitação e assessoria, tanto com os técnicos envolvidos no projeto quanto com os grupos de trabalhadores partícipes); Curso Básico de Cooperativismos e Associativismo (processo de formação continuada e elaboração de um Pré-Estudo de Viabilidade Econômica); Incubagem (composta por uma série de oficinas de trabalho visando análise de cenários de negócios; estratégia de participação e educação cooperativa; plano estratégico e de negócios cooperativos; gestão organizacional, gestão financeira e de pessoal; estratégia de comunicação e plano de marketing cooperativo; sistemas de controle; organizações em rede, entre outros.) e, por ultimo, de Avaliação Continuada (os resultados são analisados e servem de subsídio para mudanças e realinhamento constante do trabalho e verificação da efetividade do programa). Concomitante a esta iniciativa priorizar-se-á o aspecto de iniciativas criativas explorando os potenciais turísticos da região, em especial, de regiões em que se localizam as comunidades tradicionais. A organização comunitária das famílias de determinadas comunidades pode disseminar o turismo de base comunitária e ao mesmo tempo conhecer a cultura, participando de seu cotidiano observando seus conhecimentos tradicionais, visitando as belezas naturais e, principalmente, ouvindo as histórias de luta e resistência das comunidades, que contribuem até hoje para preservar as riquezas da sociobiodiversidade da região. Existem na região várias áreas com uma dimensão turística em potencial, como a Rota das Cachaças em Guaratuba ou os Roteiros das Ilhas de Guaraqueçaba. A proposta é permitir um turismo sustentável e de preservação da cultura local tradicional.

Mutirão Mais Cultura realiza curso de formação de anfitriões turísticos no litoral paranaense

Nos dias 18 e 19 de setembro, estudantes, professores(as) do Setor Litoral da UFPR e integrantes do curso de extensão “Anfitriões da Baía de Guaratuba” participaram do curso de formação em turismo comunitário ‘Anfitriões de Batuva’, na comunidade quilombola de Batuva e Rio Verde, em Guaraqueçaba.

A responsável pela atividade e também coordenadora do eixo 6 do Mutirão, Professora Beatriz Leite Ferreira Cabral enfatiza que “o encontro propiciou a valorização do conhecimento de ambos os grupos, seja daqueles que foram anfitriões e propuseram atividades que valorizam sua cultura e território, como por aqueles que partilharam com os anfitriões, seus conhecimentos e experiências sobre turismo de base familiar”.

Nesse primeiro encontro os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o processo completo de preparo do caldo de cana de açúcar e também as técnicas de construção de telhados de Guaricana - nome dado à palha trançada, tradicional na comunidade, com durabilidade de 10 anos. Os participantes ainda caminharam pelas trilhas da região e realizaram atividades na roça, voltadas ao preparo da terra para o plantio.

Para a professora Beatriz, o curso ​‘Anfitriões​ ​de​ ​Batuva’ “propiciou a reflexão e valorização de práticas culturais associadas àquele grupo, todos relataram o sentimento de satisfação com a atividade”. Ela também informa que outras etapas do “Anfitriões de Batuva” serão realizadas para dar continuidade ao processo formação dos moradores da comunidade.

O grupo realizou uma caminhada até o marco da divisa entre o estado do Paraná a São Paulo. Nesta ocasião, os moradores de Batuva apresentaram histórias da cultura quilombola.

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A atividade uniu as comunidades populares da Baía de Guaratuba, professores e bolsistas da Universidade Federal do Paraná.

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Casa caiçara na comunidade de Batuva.

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Participantes apreendem a construir telhados de Guaricana, nome dado à palha trançada, tradicional na comunidade, com durabilidade de 10 anos.

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As refeições foram preparadas pelas mulheres da comunidade com suas tradições quilombola, no fogão a lenha e com ingredientes da região: galinha caipira, paca (carne de caça), ensopado de peixe com banana verde, lambari frito, salada de pupunha, alface, arroz com torresmo, suco de limão, farinha de mandioca, feijão preto.

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Oficina de confecção de canoas de um pau só resgata o conhecimento tradicional e une as comunidades populares da Baía de Guaratuba

Por meio do projeto Mutirão Mais Cultura, a Pró Reitoria de Extensão e Cultura da UFPR (PROEC) promoveu uma oficina de confecção de canoas de um pau só para as comunidades populares da Baía de Guaratuba. O curso contou com a participação de 50 pessoas, que tiveram a oportunidade de aprender técnicas culturais tradicionais caiçaras. A atividade, iniciada em julho deste ano, faz parte do projeto de extensão “Empreendedorismo, inovação e gestão familiar para o turismo na Baía de Guaratuba”, que integra as ações do eixo 6 do Mutirão.

Na primeira etapa da oficina foram identificadas as árvores de Guarupuvu já derrubadas, no Parque Nacional Saint-Hilaire/Lange. A autorização para utilização da madeira foi concedida pelo órgão ambiental ICMBio, gestor da unidade de conservação.

Aroldo Cordeiro de Freitas, Seu Aroldo, morador da comunidade de Cabaraquara e um dos dois únicos habitantes da região que conhecem o processo de construção da canoa, orientou os participantes sobre as técnicas tradicionais de confecção, como a escavação do tronco, o nivelamento canoa, lixamento, etc. Ele explica que houve uma diminuição número de praticantes do ofício, “as restrições ambientais que proíbem a retirada das madeiras de maior durabilidade faz com que muitos mestres não construam as embarcações por medo de retaliações”.

Depois de dois meses de trabalho, no final de setembro, foi dado início a parte mais árdua da confecção, a puxada. As canoas - com cerca de 500 kg, a maior, e 300 kg, a menor - foram arrastadas até a casa do mestre Aroldo, onde receberam os últimos ajustes. A previsão é que as canoas de um pau só estejam prontas para uso em março do ano que vem, após o término do processo de secagem.

A professora de Gestão em Turismo da UFPR e coordenadora do eixo 6 do Mutirão, Beatriz Cabral, explica que a atividade contribuiu para, “criar laços de solidariedade entre os participantes, e valorizar os conhecimentos associados ao modo de vida caiçara”. Além disso, “as canoas fabricadas serão compartilhadas entre os integrantes do Grupo Guarapés, para realização de roteiros turísticos na Baía de Guaratuba”, revela Beatriz.  

Seu Aroldo e os demais participantes confeccionam a canoa de um pau só utilizando como instrumento, a motosserra, o machado enxó e o geová.

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Oficina uniu as comunidades populares da Baía de Guaratuba, valorizando a cultura e o conhecimento caiçara.

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Um almoço típico caiçara foi preparado durante o trabalho de confecção.

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Comunidades populares do litoral paranaense trocam experiências e conhecimentos durante visita ao litoral paulista

Nos dias 02 e 03 de outubro, integrantes do Grupo Guarapés, do assentamento do MST de Guaratuba, das comunidades quilombolas de Guaraqueçaba e da Rede Caiçara Paranaguá, acompanhados de dois professores e quatro estudantes bolsistas da UFPR, realizaram uma visita técnica a comunidade quilombola do Mandira e ao Parque Estadual da Ilha do Cardoso, no litoral paulista.

A atividade proporcionou o intercâmbio cultural entre as diferentes comunidades, que compartilharam saberes e conhecimentos, além da oportunidade de vivenciar diferentes modelos de organização da atividade turística, com o envolvimento da comunidade local.

Desde 2004, a comunidade quilombola do Mandira, no município de Cananéia, pratica o turismo de base comunitária como complemento da renda familiar, baseada no cultivo de ostras. Durante o primeiro dia de visita, os quilombolas apresentaram aos participantes um pouco do histórico da comunidade, como o processo de criação e gestão da Reserva Extrativista do Mandira. Na comunidade ainda foi realizada uma oficina de produção de sabonetes artesanais, ministrada pelo grupo Cheiro do Mato. Por fim, o grupo visitou uma antiga ruína construída por escravos revelando os importantes aspectos históricos da comunidade, revelando a vinculação histórica da localidade ao litoral paranaense, mais especificamente às comunidades quilombolas de Rio Verde e Batuva.

No dia seguinte, os participantes foram até o Parque Estadual Ilha do Cardoso, à 67 km de Cananéia, onde puderam conhecer uma nova técnica de pesca, sem o uso de redes. Os condutores comunitários do parque acompanharam o grupo durante a caminhada em trilha aberta à visitação, em que expuseram ao grupo, técnicas de condução de visitantes em unidades de conservação. O contato com os moradores propiciou a compreensão das dificuldades e avanços no envolvimento de comunidades nativas na gestão do turismo em unidades de conservação.

A professora e coordenadora do projeto “Fortalecimento do empreendedorismo, inovação e gestão do turismo de base familiar da Baía de Guaratuba” e do eixo do Mutirão, Beatriz Cabral explica que as atividades, “possibilitaram a integração e aproximação das comunidades envolvidas. Foram dois dias intensos, em que as comunidades populares do litoral paranaense puderam compartilhar experiências e conhecer as diferentes formas organização comunitária e de gestão do turismo”.

A comunidade quilombola do Mandira fica na cidade de Cananéia, em São Paulo, e faz parte da Reserva Extrativista do Mandira, uma Unidade de Conservação da Natureza de Uso Sustentável, criada em 2002.

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Ao chegar na comunidade os participantes do Mutirão Mais Cultura na UFPR foram recebidos por uma palestra sobre as características de Mandira. A conversa proporcionou a troca de experiência entre as comunidades litorâneas do Paraná e de São Paulo.

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Durante os dois dias de atividade, foram preparadas três refeições, que integraram os saberes locais e valorizaram a culinária da comunidade quilombola, fortalecendo os elos entre o passado e presente.

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Os participantes ainda realizaram uma oficina de confecção de sabonetes artesanais com óleos e plantas da região, ministrada pelo grupo Cheira Mato.

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Visita a uma antiga ruína construída por escravos, resgatando a memória da comunidade.

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Participantes embarcam para a Ilha do Cardoso.

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Foto 12: A visita faz parte das ações do eixo 6 do Mutirão Mais Cultura da UFPR, projeto que aproxima a universidade da sociedade civil, unindo ensino, pesquisa e extensão.

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UFPR promove Terceiro Encontro das Comunidades Populares do Litoral Paranaense

Nos dias 17 e 18 de agosto, foi realizado o Terceiro Encontro das Comunidades do Litoral Paranaense, em Paranaguá. A atividade integra as ações do Projeto Mutirão Mais Cultura da UFPR, do eixo 6 - Economia Criativa, Empreendedorismo Artístico e Inovação Cultural.  Nos encontros representantes das comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras, acompanhados de estudantes e professores da UFPR, refletiram sobre as práticas turismo familiar e comunitário na região.

No primeiro dia, 17, a doutoranda em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (UFRJ), Mariana Madureira ministrou uma palestra, defendendo a aliança entre o turismo e a tradição. Para Mariana, “o turismo tem que ser pensado de uma forma que valorize a tradição. E isso é um grande estímulo para manter a cultura, os hábitos alimentares, a música, as festas”.

No dia seguinte, 18, as discussões coletivas ficaram por conta da doutora em Sociologia pela UFPR, Larissa Mellinger. Os participantes, divididos em grupos - indígenas, comunidades caiçara de Paranaguá, quilombolas e caiçara de Guaratuba - discutiram sobre as potencialidades turísticas de cada território. Em seguida, as propostas foram apresentadas em plenária.

Como resultado do encontro, foram propostas como ações do projeto Mutirão, três cursos de extensão, voltados à valorização e fomento do turismo comunitário. Dentre as propostas, estão a qualificação profissional na área alimentar; melhorias no processo de divulgação e comercialização dos roteiros turísticos; e integração das comunidades populares. 

 

Comunidades populares refletem sobre as práticas do turismo familiar.

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Divididos em grupos, participantes do encontro discutem as potencialidades turísticas da comunidade de Batuva.

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Quilombolas e caiçaras apresentam alternativas de fomento ao turismo comunitário.

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Estão abertas as inscrições até 06 de setembro para seleção de bolsistas graduandos da UFPR

Projeto Mutirão Mais Cultura UFPR - eixo Economia Criativa, Empreendedorismo Artístico e Inovação Cultural / Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares

faça o download do edital aqui

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PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO E CULTURA
Pró-Reitor:
Prof. Dr. Leandro Franklin Gorsdorf

COORDENADORIA DE CULTURA DA UFPR
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