Eixo 4. Diversidade Artístico-Cultural

Metodologia:

As ações deste eixo têm como foco primordial o mapeamento cultural colaborativo e a difusão das práticas culturais das comunidades tradicionais do litoral do Paraná. O acúmulo oriundo destas ações permeará e norteará todos os demais eixos, principalmente porque a principal ação é o mapeamento. O mapeamento cultural colaborativo que está se propondo, visa aprofundar a compreensão das comunidades, suas práticas e seu território. A metodologia inicial de mapeamento a ser utilizada é do mapeamento cultural colaborativo, pois surge da necessidade de construir mapas onde se considere os aspectos culturais, históricos e costumeiros de uma determinada comunidade, lugar ou território. O mapeamento cultural surgiu com a ampliação dos espaços e a diversificação das formas de representação espacial, além da emergência de novas tecnologias e de novos “sujeitos mapeadores”. Os mapas culturais mostram que novas questões são postas em jogo no que diz respeito aos territórios. As questões políticas, tão presentes nos mapas desde seu surgimento, também aparecem nesse tipo de mapeamento a partir dos planejamentos para as estratégias de controle sobre o território, mas também podem surgir para construir direitos sobre os territórios (ACSELRAD, 2008: p.12-13).Esses agentes sociais dificilmente conseguem visualizar em mapeamentos oficiais suas demandas, seu território. Existe nelas um vazio de informação no que diz respeito a estes grupos, suas histórias, suas experiências, suas formas de trabalho, os modos de existência coletiva. Neles, emerge a autoconsciência do grupo e a construção e desenvolvimento de identidades próprias, neste caso evidenciando o aspecto cultural. Durante anos estas mesmas comunidades/grupos foram “objeto” de pesquisa sejam por professores/alunos da UFPR, nos mais diversos Setores ou por órgãos públicos de gestão cultural. Dessa maneira, a iniciativa do “Projeto Mutirão - Mais Cultura na UFPR” pretende inverter esta lógica e permitir que estes sujeitos sejam produtores de seu conhecimento. Segundo, que o conhecimento já produzido por estes pesquisadores, que se materializaram em artigos, monografias, dissertações, teses possam ser sistematizados e disponibilizados, inclusive para aqueles que são sujeitos deste território, de forma a promover a compreensão de sua realidade com vistas à ação politica de fortalecimento de sua diversidade cultural.Este trabalho será diferente junto a cada comunidade tradicional, seja pelo histórico da parceria ou pela apropriação desta metodologia como estratégias de proteção de seus direitos.

Por isso os métodos a serem adotados em cada comunidade serão diversos e aperfeiçoados caso a caso, podendo ser: a Cartografia efêmera (traços de mapas no chão, os participantes utilizam terra, gravetos, folhas, entre outros para representar a paisagem física e cultural); a Cartografia de esboço (esboça-se um mapa com base na observação ou memória. Não conta com medidas exatas, tais como escala consistente [...] envolve o desenho de símbolos em folhas grandes de papel [...]); Cartografia de escala ([...] visa gerar dados de referências geográficas. Isso permite o desenvolvimento de mapas de escala relativamente exata [...]); Modelagem 3D (integra os conhecimentos geográficos com os dados de elevação, produzindo modelos de relevo tridimensionais autônomos, de escala e com referências geográficas); Foto mapas (impressões de fotografias aéreas que são corrigidas geometricamente e dotadas de referências geográficas); Sistema de Posicionamento Global - GPS ([...] os dados registrados são usados com frequência para dar precisão às informações descritas em mapas esboços, mapas de escala, modelos 3D e outros métodos cartográficos comunitários que utilizam menos tecnologia); Sistema multimídia de informações vinculados a mapas (os conhecimentos locais são documentados por membros da comunidade por meio de vídeos digitais, fotografias digitais e texto escrito armazenados em computadores e administrados e comunicados com a interface de um mapa interativo, digital) (CORBETT et al, 2006, p.14).Ainda neste campo do mapeamento cultural colaborativo pretende-se colaborar na alimentação do Registro Aberto da Cultura (RAC) e consequentemente do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC) para contribuir na produção, gestão e difusão da produção e da diversidade cultural e artística brasileira. Pari passo com este mapeamento será realizado um inventário de demandas e necessidades culturais das comunidades tradicionais, para fornecer subsídios sistematizados no dialogo perante aos órgãos públicos responsáveis pelas politicas públicas de cidadania e cultura. A partir deste acúmulo, a proposta será desdobrada em mesas de dialogo entre os gestores públicos e as comunidades/grupos artísticos, no sentido de avançar em pautas/agendas que propiciem as iniciativas culturais destas comunidades. Para além destas relações com o poder público, uma das ações é voltada a sociedade em geral, com a finalidade de reconhecimento e apoio as manifestações culturais e artísticas muitas vezes invisibilizadas na região do Litoral.

A presença destas práticas culturais no território mais ampliado do Litoral será possibilitada por intermédio de ocupação de espaços públicos, espaços expositivos, apresentações culturais em Festivais e catálogos dessas mesmas atividades, de forma a compor a memória destas iniciativas. Priorizamos os espaços já existentes da UFPR e da UNESPAR, como Festival da UFPR em Antonina e o Festival de Cultura da UNESPAR, bem como, o Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR, que possui sede em Paranaguá e o Museu de Arte da UFPR, em Curitiba. Compondo com estas iniciativas propomos a produção de materiais audiovisuais em diversos formatos e linguagens, voltadas a públicos variados e com uma difusão irrestrita por meio da internet. Estes mesmos materiais poderão servir de referencia e de documentação para reforçar algumas iniciativas em desenvolvimento, como titulação de territórios, denúncias de violações de direitos, reconhecimento como patrimônio cultural, entre outras. E, para que o registro de todas estas práticas possa ser acessado para pesquisa e estudo por estudantes de Educação Básica, de Universidades Públicas, serão organizados editoriais temáticos a respeito da diversidade cultural do Litoral, seja por territórios (Ilhas, Quilombolas, Indígenas) ou por práticas culturais (comida, música, festas religiosas) reforçando as chaves de leitura que apresentamos acima. Estas ações serão construídas de forma dialógica com as comunidades, refletindo permanentemente as suas consequências e reavaliando a incorporação dos efeitos positivos e negativos destas iniciativas de maneira a propiciar a reestruturação do projeto.


Estão abertas as inscrições até 11 de setembro para seleção de bolsistas graduandos da UFPR

Projeto Mutirão Mais Cultura UFPR - eixo Economia Criativa, Empreendedorismo Artístico e Inovação Cultural / Turismo de base familiar/comunitária

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PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO E CULTURA
Pró-Reitor:
Prof. Dr. Leandro Franklin Gorsdorf

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